| FILMES |
|
os filmes que vejo ao longo do ano, com possíveis (possíveis, eu disse) comentários para cada um deles. a cotação vai de 00 a 100. // significa que o filme foi revisto. 2x significa o número de vezes que o filme foi visto (no caso desse exemplo, 2 - mas poderiam ser 3, ou 4, ou 5, ou qualquer coisa). |
Sábado, Outubro 02, 2004
Outubro: [últimos: ALBERGUE ESPANHOL (68) AS BICICLETAS DE BELEVILLE (40), NA CAPTURA DOS FRIEDMANS (78), BLOW UP (86)] 01 - A última vida no universo (Ruang rak noi nid mahasan, Pen-Ek Ratanaruang, 03) - Cinema/dia1 56 [Há coisas interessantes, sem dúvida, pricipalmente enquanto se vê um filme sobre relações entre irmãos (os dois protagonistas tiveram o irmão/irmã mortos, a trama tem início a partir desse ponto). Nesse quesito, o comentário geral é até um tanto óbvio e simplório, mas é também realizado de maneira bastante incomum -- pra dizer que independente do quanto diferente sejam, quantos conflitos existam etc, um sempre irá guardar alguma ou várias características do outro e vice-versa (não importando se você abomina aquela característica ou se a sua é o total oposto dela etc), o diretor imprime aos personagens -- sutil e lentamente, vale dizer -- características do irmão/irmã falecido (uma tatuagem, o modo de vestir-se, e assim por diante). Aquela pessoa que você superficialmente odeia e/ou não tem nada em comum com, irá te fazer falta, de uma forma ou de outra, basicamente. Discurso bonitinho, esse, especialmente para alguém que tem um dois irmãos mais novos (e uma relação totalmente ame & odeie com os ditos) como eu. Mas nem tudo é um mar de rosas, e esse é um filme muito estranho. Até agora não consigo decifrar qual o motivo/intenção de, ao final da projeção, investir-se em um lado cômico amplamente deslocado de tudo o que se via até ali. Ironia é algo que sem muito cuidado se perde facilmente, e mesmo com potencial (Takesshi Miike como um chefão da yakuza é algo engraçado em muitos lugares/situações, mas não num filme como esse, né?) é preciso saber o momento certo de empregá-las, caso contrário...elas não vão funcionar. É o caso aqui. O resultado termina por ser como uma piada contada ao fim de uma história que tinha a intençao de ser lavada a sério: a piada (mesmo se for engraçada - i.e. ter potencial, como Miike aqui) não tem graça, e tudo que faz é anular, tornar inútil, tudo aquilo que veio antes dela. Ou seja, lamentavelmente, acaba por não fazer nem um coisa nem outra.] 02 - A Vila (The Village, M. Night Shyamalan, 04) - Cinema/dia2 *comentario perceptivelmente escrito em teclado desconfigurado* 76 [Eh um filme que mais sugere do que diz - sim, é - mas quando enxergam isso como um aspecto negativo, nao consigo concordar. Eh tao eficiente, enquanto filme sobre cultura do medo, viver em sociedade, quanto se tomasse alguma posicao mais clara a respeito do assunto (se tomasse, inclusive, tenho minhas duvidas se funcionaria tao bem - qualquer afirmacao mais explicita inibiria o publico a iniciar discussoes, o que acredito seja o principal interesse do filme). Shyamalan deixa as canclusoes para serem tiradas pelo proprio espectador, e isso jah mostra o quanto seu cinema evoluiu desde O Sexto Sentido. Repare que as discussoes nao sao mais acerca do final super-surpreendente, mas sim sobre...o que quer que seja que Shyamalan queira falar - historias em quadrinhos, feh, o mundo de hoje. O que mais se pode querer de seu proprio publico, para alem de ter o conteudo pertinente de seu filme discutido, comentado, refletido etc? Em um suspense superficialmente convencional (fantasias que os filmes do diretor indiano vestem ateh hoje, em boa verdade, e aos poucos vem tentando se despir), sinceramente nao sei. Mas me impressiona a capacidade d'um filme como esse em atingir, se comunicar com o espectador - Shyamalan converte ateh o mais desinteressado em qualquer esperiencia extra-sala de cinema, aquele que ve o filme e, bem, ''aonde vamos jantar agora?''. Talvez porque seu filme seja plenamente satisfatorio em todas as vertentes. Como exercicio de suspense, veiculo para pregar sustos, eh fenomenal. A cena-chave do filme - a perseguicao na floresta, quando todos nos, espectadores e personagem, sabemos a verdade, mas nao somos capazes de nao sentir medo -, nao podia deixar isso mais claro. Shyamalan, acima e alem de tudo, sabe como poucos o que fazer com a camera - ha uma duzia de enquadramentos fascinantes (o dialogo entre Lucius e Ivy que culmina no primeiro beijo, Noah perdendo a cabeca com a faca, etc). Ah, enfim, quero ver de novo, e provavelmente vou gostar ainda mais. Esses filmes costumam subir em revisoes, sabe.] 03 - Pelota Basca: A Pele contra a Pedra (Pelota Vasca: La piel contra la piedra, Julio Medem, 03) - Cinema/dia4 [*FESTIVAL DO RIO*] 54 [Bastante correto, no mímino. Cumpre o que promete quando logo no começo da projeção surgem avisos de que trata-se de um documentário que respeita a opinião de ambas as partes, não tem intenção alguma de levantar bandeira pra ninguém, e principalmente sente pelas mortes que foram causadas em virtude do conflito - o enfoque permanece nesse ponto até o fim dos 115 minutos de entrevistas com os mais variados tipos de pessoas, acredito. Aibda bem, é menos didático do que eu esperava, e com certeza deve ser algo bem mais interessante para alguém que conheça um pouco mais a fundo o assunto em questão do que eu. Não fosse isso e o fato do formato ser tão convencional, tão certinho, tão quadrado etc (entrevistas, e mais entrevistas, e paisagens bonitinhas, e mais entrevistas, e o tempo todo, e só, e), a nota aumentaria sensivelmente - não que isso seja necessariamente um aspecto negativo, mas sabe como é, correria de festival, poucas horas da noite aproveitadas, enfim.] 04 - A Vda é um Milagre (Zivot Je Cudo, Emir Kusturica, 04) - Cinema/dia4 [*FESTIVAL DO RIO*] 66 [Mais ´´curioso´´ do que qualquer outra coisa, acho. É diferente de tudo que eu já vi e/ou esperava ver (talvez porque não tenha visto os filmes anteriores do diretor, tem gente dizendo que este aqui torna-se até irrelevante para quem conhece toda a obra de Kusturica, tamanha a repetição - não é o meu caso, enfim). Há animais representando papéis essenciais na narrativa (juegues com tendências suicídas chorando desiludidos, ursos assassinos, gatos que não têm medo de cachorro etc), barulho até não poder mais, situações que beiram o nonsense. Kusturica vaga entre o absurdamente feliz e o histérico, e o resultado sai melhor que a encomenda: o tom é muito bem controlado o tempo todo, nunca chegando à felicidade excessiva (coisa que me irrita profundamente, seja lá onde for). Pode-se dizer que o filme se divide em três partes: a primeira, praticamente um teatro do absurdo, onde tudo é festa, os personagens são felizes, todos riem, há música por toda parte (a trilha sonora do filme é espetacular, e também bastante incomum, diferente, pelo menos para os meus ouvidos); a segunda, já depois que a guerra estoura, que explora o drama do protagonista separado da mulher e do filho, quase uma tragi-comédia (a hilária sequência dos soldados cheirando carreiras de cocaína na linha do trem, partidas de xadrez interrompidas por cavalos e explosões, etc); e a terceira, história do amor impossível entre o portagonista, agora apixonado, e uma enfermeira, que é feita por ele mesmo como prisioneira de guerra (a intenção é trocá-la pelo filho), não tão satisfatória quanto as outras - o casal apaixonado nunca chega a convencer, e isso compromete todo esse segmento do filme, que é fincado no caso Romeu e Julieta dos dois. O final com o (a?) jegue, que era pra ser engraçado e comovente, acaba por soar apenas engraçado. Não é o ideal, mas já é alguma coisa.] 05 - Água-Viva (Akarui mirai, Kiyoshi Kurosawa, 03) - Cinema/dia5 [*FESTIVAL DO RIO*] 44 [Oh, as pessoas quando gostam muito uma das outras. Oh, a água-viva se reproduzindo. Oh, o pai-sem-filho dando início ao processo de adoção. Oh, oh, oh. (...) Há uma cena capaz de traduzir muito bem o quanto isso aqui é limitado: dois personagens discutem feio, um grita com o outro etc. Um, revoltado, deixa o lugar. O outro percebe que foi duro demais, quando não queria ter sido. E aí diz: ''oh, não - fui duro demais, não queria ter sido''. Bem, pois é...] 06 - /Kill Bill Vol.2/ [2a] (iem, Quentin Tarantino, 04) - DVD/dia5 85 [Minha professora de inglês tem lugar reservado no céu - converteu (em conjunto com a minha pessoa, sejamos justos), dezenas de adolescentes fãs de, ahn, A ONDA DOS SONHOS, ao Quentintarantinismo. 2 tempos + intervalo (era opcional ficar na sala, e de 34 ficaram acho que 30) de silêncio absoluto, mais de 60 olhos vidrados na tela, todos soltando um ´´Ohhh!!!´´ sincronizado quando a Noiva torna possível o impossível etc. Quando alguém gritou ´´PORRA, OLHA A TRILHA SONORA!´´ me senti realizado. Recrutei um grupo para assistir no cinema, da devida meneira - também estou procurando garantir o meu espaço no paraíso, sabe como é.] 06 - Undertow (idem, David Gordon Green, 04) - Cinema/dia5 [*FESTIVAL DO RIO*] 60 [Desde que vi ALL THE REAL GIRLS (aquele maravilha...), naturalmente, passei a nutris de grande simpatia por David Gordon Green. Também (mas não apenas, é claro) por isso, prefiro acreditar que o principal problema deste Undertow seja a falta de liberdade do diretor. As sequências iniciais são um primor, mas são um primor raramente encontrado no resto do filme, que por grande parte de sua duração deixa um gosto amargo de thriller banal para ser esquecido e passar naquelas sessões de sábado à noite na Globo - supercine, ou algo assim. Por outro lado, é interessantíssimo ver Jamie Bell, conhecido por todos como o garotinho frágil de Billy Elliot, desempenhando agora o pepel do irmão mais velho (exato oposto do filme anterior, pois) que se vê tendo que tomar conta do caçula. O filme-dentro-do-filme que há aí é ótimo, e deve ser ainda melhor para alguém que acabou de assistir Billy Elliot (pode ser que Gordon Grenn seja realmente um gênio e tenha pensado Undertow dessa exata maneira, mas não dá pra ter certeza, talvez em uma revisão), mas são coisas como por exemplo a presença tão caricata do tio, aqui o cara ´´mau´´ da história, que me incomodam bastante. De qualquer forma, irei revê-lo, deve entrar em circuito e eu quero muito gostar (mais).] 07 - 29 Palmas (idem, Bruno Dumont, 04) - Cinema/dia6 49 [Talvez seja o típico filme que quer causar impacto, criar polêmica, ser adorado por um grupo seleto de público em festivais e e virar cult em prateleiras de locadoras. Mas não sei, há uma determinada cena que diz muito sobre os personagens com poucas palavras/imagens (um certo diálogo com relação a uma pessoa urinar e a outra assistir, que praticamente define a relaçao do casal protagonista em um istante), e é ela - e só ela - que me faz não ter tanta certeza assim quanto a picaretagem que o filme em si possa vir a ser. Quanto ao resto, é quase risível a insegurança do diretor disso aqui. Há metáforas terríveis, que servem (apenas na cabeça do cineasta, acredito) meio que para justificar o que se vê na tela. Exemplo: casal protagonista vê filme de arte na TV. Enquanto um faz cara de quem não tá entendo coisa alguma daquelas imagens que aparentemente não fazem sentido nenhum (são flashes de uma luz azul, se eu vi bem), o outro tece comentários mais ou menos assim: ´´nossa, mas é lindo, fabuloso!´´. Ou seja, quem não vê sentido no próprio 29 Palms - um filme, err, ´´difícil´´ -, não entende ou qualquer outra coisa, é burro, incapaz de fazê-lo. Exemplo 2: personagens estão conversando (sobre nada, sobre tudo, em um diálogo que não faz muito sentido), quando o homem diz: ´´por que nossas conversas são sempre assim desfuncionais? Isso é coisa de maluco, eu quero lógica, eu quero lógica´´, completa, com ares de revolta. Se isso não é subestimar o coitado do espectador, o que mais é? Exemplo 3: cena final, após um estupro, um esfaqueamento repentino e um suicídio, todos sem claras razões para terem acontecido. Policial vê o corpo de um homem no meio do deserto, e manda bloquearem a estrada. ´´Não quero que isso vire um escândalo, sensacionalismo´´, é o que diz. Err...se não é para achar graça, é para lamentar. Seja o que for, a verdade é que eu simplesmente não dou a mínima para 29 Palms.] 08 - Exílios (Exils, Tony Gatlif, 04) - Cinema/dia6 74 9 - Resident Evil 2: Apocalypse (idem, Alexander Witt, 04) - Cinema/dia8 19 10 - /Kill Bill Vol. 2/ [3a] (idem, Quentin Tarantino, 04) - Cinema/dia9 91 [Quando se contradizer completamente pode ser algo (muito) bom. Há um texto maior sobre o filme aqui.] 11 - Madrugada dos Mortos (Dawn of the Dead, Zack Snyder, 04) - DVD/dia9 63 12 - Em Carne Viva (In the cut, Jane Campion, 03) - DVD/dia12 57 13 - O Circo (The Circus, Charles Chaplin, 28) - DVD/dia13 72 [Ainda não decidi se gosto ou não do final, um tanto conformista por um lado, e isso altera a nota em uns 6 pontos para mais ou para menos. Mas de resto é Chaplin com todas as suas qualidades usuais, e ainda mais engraçado do que o de costume.] 14 - A Dona da História (idem, Daniel Filho, 04) - Cinema/dia14 42 15 - Blow Up: Depois daquele beijo (Blow Up. Michelangelo Antonioni, 66) - DVD/dia18 86 [Não tenho muitas palavras, o jogo de tênis me levou à nocaute. Fica pra próxima.] 16 - Na Captura dos Friedman (Capturing The Friedmans, Andrew jarecki, 04) - DVD/dia21 78 [Sem pensar muito, diria que é um filme sobre a verdade. Sobre as conseqüências a que se pode chegar quando um grupo de pessoas não compartilha de uma mesma visão acerca de um fato -- quando não têm a mesma concepção do que seja a "verdade", pois. No caso aqui, o fato é um pai de família e seu filho mais novo serem acusados de molestar diversos jovens, em alguma cidadezinha dos EUA. A narrativa é construída de tal maneira que torna-se impossível, para nós espectadores, estabelecer uma opinião acerca daquela história, decidir se os acusados são ou não culpados...Qual é a verdade por trás daquilo tudo, enfim. Assim como é para os personagens, que quando não estão completamente confusos (admito, não admito? Culpado, inocente? Pedófilo, não-pedófilo?), apresentam visões completamente diferentes uma das outras. A conclusão a que se chega, com o não-conclusivo final do documentário (que se mostra o tempo todo desinteressado no resultado das investigações; o foco aqui é no que a discordância pode -- e vai -- causar: tanto àquela família em especial, quanto à sociedade como um todo) é que não há uma verdade absoluta. Real e assustador -- talvez por estabelecer uma relação personagem/espectador de total intimidade (com uma pequena grande ajuda dos vídeos caseiros da família, vale dizer) --, trate-se de um filme imperdível.] 17 - As Bicicletas de Beleville (Les Triplettes de Beleville, Sylvain Chomet, 03) - DVD/dia22 40 [Finca-se na esquisitce e na estranheza -- e em nada mais (``oh, é incomum - uma animação onde há tiros, sequestros, acidentes atumobilístos! oh, veja como os personagens são desenhados, que estranho!´´) -- e acha estar fazendo muito; mas, bem, cara feia pra mim é fome. Chato, longo (e tem só 70 e poucos minutos) e oco. Não tenho paciência pra esse tipo de coisa. Pode até lembrar Delicatessen, mas bah, quem se importa?, Delicatessen é outra porcaria.] 18 - Albergue Espanhol (L´auberge Espagnole, Cédric Klapisch, 02) - DVD/dia23 68 19 - Noites de Cabíria (La Notti Di Cabiria [ou algo parecido, estou escrevendo de cabeça por preguiça de ir ao IMDb ou something], Federico Fellini, 57) - DVD/dia29 75
|