FILMES 04 05

Terça-feira, Novembro 02, 2004

Novembro:

[últimos: MOÇA COM BRINCO DE PÉROLA (52), METIDO EM ENCRENCAS (72), O BUQUÊ (77), TODO MUNDO QUASE MORTO (50) SOB O DOMÍNIO DO MAL [2004] (52)]

01 - O prisioneiro da grade de ferro (auto-retratos) (idem, Paulo Scramento, 04) - DVD/dia1

80

02 - Mar Aberto (Open Water, Chris Kentis, 03) - Cinema/dia3

39

[Não sei onde encontrar motivos para elogiar um filme desses, sinceramente. Tão ruim quanto A Bruxa de Blair, que é a comparação que as pessoas têm usado para falar bem deste aqui. Faz sentido; é o mesmo estilo de filminho independente metido a genial que não tem nada a oferecer além de...bem, um filminho independente metido a genial (mas oco, vazio). Tenso e assustador? Acredito que se fosse o caso eu não teria aproveitado boa parte da projeção para roncar na poltrona daquele multiplex muito bem refrigerado -- e é essa minha principal lembrança da sessão de Mar Aberto. O final teoricamente corajoso é tão óbvio quanto o de, ahn, Adaptação (eu estranharia se houvesse um happy ending meloso em um filme que faz de tudo para ser considerado incomum e, err, corajoso -- quando na verdade não o é) e condizente com o que o filme se propôe a ser -- portanto, não há coragem alguma aí (é como se denominasse-se coragem o fato de uma comédia romântica hollywoodiana terminar com mocinho e mocinha juntos e felizes). Nota pessoal: cotação tende a cair.]

03 - /Encontros e Desencontros/ [5a] (Lost In Translation, Sofia Coppola, 03) - DVD/dia5

95

[Ah, tava precisando. Já se tornou pra mim o que só Magnólia e alguns outros filmes foram capazes se tornar: é como remédio, droga. Há certos momentos em que eu simplesmente preciso ver, não há como evitar. Chorei menos dessa vez, e é uma sensação tão boa mas tão boa que é logicamente inexplicável. Segue firme e forte na louvável posição de #1 da lista de melhores do ano.]

04 - Super Size Me (idem, Morgan Spurlock, 03) - DVD/dia10

60

05 - American Graffiti, Loucuras de Verão (American Graffiti, George Lucas, 73) - DVD/dia15

74

[Meu lado emotivo quer adorar e ver de novo até cansar, enquanto meu lado racional quer apontar defeitos e dizer "é, mas...". Na verdade, não é difícil fazer uma coisa nem outra. Há esteriótipos e personagens-peça quase que na mesma proporção em que há personagens crescendo humanamente com o andar da carruagem. Aquela noite equivale a anos na vida dos jovens em questão, e as transoformações pelas quais estes passam à medida que as coisas vão acontecendo, apesar de bem evidentes (quem diria que o John Milner que abaixa as calças do nerd no começo do filme é o mesmo cara que o ajuda em uma briga no final etc), fluem de forma bastante natural. É agradabilíssimo de se ver, lida como poucos com situações-clichê e, apesar de possíveis defeitos, acredito que haja a maior e mais imoportante das qualidades: força suficiente para aguentar a alcunha de clássico. Belo filme.]

06 - Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate, Jonathan Demme, 04) - Cinema/dia17

52

[Talvez seja até razoável, mas certamente não é nem metade do que vêm sendo dito por aí. Na verdade, acho que apesar das pretensões (claras, certo?), está longe de poder ser considerado um thriller político (ou um drama político, ou um filme de ação político, ou um qualquer-coisa político). Tem até um bakcround BACKGROUND nesse sentido, e é inevitável que sejam feitas uma ou duas associações, mas bem, backround BACKGROUND até "Celebridade" tem -- e você concorda que a novela das oito não tinha muita coisa a dizer sobre fama, certo? É a eterna luta do bem contra a mal mais uma vez disfarçada, ornamentada -- lá e aqui. Ou então eu sou muito preguiçoso para encontrar algo além disso, tanto na trama de Gilberto Braga quanto na de Jonathan Demme. Agulha em palheiro não é comigo. Há personagens e situações interessantes, mas eles me parecem bastante subaproveitados sempre (Denzel Washington é paranóico, então filma-se o cidadão vendo coisas que supostamente não existem, que somem e aparecem na tela -- há algo mais óbvio e saturado que isso? Deus...), e coisas como a voz que ordena os comandados e estes respondendo com um sorriso são extremamente constrangedoras, quase me fazem afundar na poltrona do cinema. Só enfatizando: a paranóia do protagonista nunca é bem explorada, já que desde o começo sabe-se que ele NÃO É PARANÓICO e é só uma questão de tempo para que as coisas fiquem claram para nós e para ele (o que obviamente faz com que tensão que uma ou outra situação -- praticamente o filme inteiro, em boa verdade -- teoricamente deveria causar desça pelo ralo como água em seu estado mais líquido). Alguém como Denzel Washington não pode protagonizar um produto desses fazendo papel de vilão, onde já se viu? Estou com medo do original, já que é com Frank Sinatra. Meryl Streep é outra que poderia render muito mais como a vilã gananciosa e sem escrúpulos, mas acaba reduzida à, ahn, uma mera vilã gananciosa e sem escrúpulos. Enfim, para um thriller a ser visto sem maiores expectativas, não fede nem cheira (mas pelo menos isso). Agora, qualquer esperança em relação a algum comentário sobre política, paranóia ou pior ainda: as duas coisas juntas (o que é natural, em um filme que quer ser tão engajado e relevante), pode e vai causar decepção.]

07 - Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, Edgar Wright, 04) - DVD/dia20

50

08 - O Buquê (C´est le bouquet!, Jeanne Labrune, 02) - DVD/dia21

77

09 - Metido em Encrencas (Biloxi Blues, Mike Nichols, 88) - DVD/dia21

72

10 - Moça com Brinco de Pérola (Girl with a Pearl Earring, Peter Webber, 03) - DVD/dia30


52

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