FILMES 04 05

Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

DEZEMBRO:

--> Últimos 5 filmes vistos: Galera do mal; Papai noel às avessas (comentado); Alfie - o sedutor (comentado); O diário de bridget jones: no limite da razão; /Os incríveis/.

01 - Os esquecidos [The forgotten, Joseph Ruben. EUA, 04. Visto no cinema] 40

Culpem a câmera que não pára de tremer, e girar, e ir de um lado para o outro -- é ela quem dá claramente a entender que os realizadores desta propensa comédia do absurdo querem que o pobre do espectador leve tudo aquilo a sério, e saia do cinema fazendo profundas reflexões. No geral é nada além de lamentável, a nota é essa apenas por causa de Julianne Moore e por algum outro motivo desimportante qualquer.

02 - Os incríveis [The incredibles, Brad Bird. EUA, 04. Visto no cinema] 61

As cenas de ação são pra mim não mais do que excelentes oportunidades para se ver a hora no celular, ir ao banheiro, comprar pipoca ou simplesmente dar uma cochilada nas certamente confortabilíssimas poltronas do multiplex frequentado pela sua pessoa. O vilão é péssimo, bastante sem graça principalmente se levarmos em conta que se trata do vilão de um filme como esse (com apelo humorístico e direcionado para cidadãos de todos os mais variados grupos de idade) e provavelmente a escolha mais óbvia de personagem-que-vai-fazer-o-cara-mal-da-história da idem-com-"h"-maiúsculo. Infelizmente os coadjuvantes seguem essa mesma linha, e chega a ser triste pensar que se havia a peixinha sem memória em "Procurando nemo", aqui há a estilista-pé-no-saco e...Gelado! Além disso, me decepciona também perceber que há pouquíssima ironia na maneira como o filme trata os super-heróis, e como praticamente apenas reforça-se uma idéia pré-concebida em relação a estes. Acredito que não era pedir demais algo um pouquinho mais consistente e/ou menos incomum, e tudo que ganho nesse aspecto é um diálogo bem legal ("todos somos especias", diz a mãe. "...o que é uma outra maneira de dizer que nenhum de nós é", retruca o filho), mas isso não é o suficiente para satisfazer esse não muito rigoroso ser que vos escreve. Gosto, também em matéria de diálogos, de alguns isoladamente -- como por ex. aquele que em míseros 10-15 segundos destrói a metragem de "Sob o domínio do mal" inteira ("Você só me respeita porque eu sou uma ameaça. Mas é assim que funciona, milhões de pessoas, PAÍSES INTEIROS fazem isso") ou o das escolas celebrando a mediocridade. De resto há uma meia dúzia de situações engraçadas e um final conciliador com gancho grosseiro para uma continuação, mas há também aquela sequência da corrida no finalzinho que é o que segura, mesmo que aos trancos e barrancos, a cotação na casa dos 60.

03 - Celular: um grito de socorro [Cellular, David R. Ellis. EUA, 04. Visto no cinema] 47

Considerando o fato de que eu não me diverti nada com o filme, de que outro jeito posso elogiá-lo? Sim, é até um cocô que sabe bem o quanto fede, e isso ajuda um pouco as coisas, mas daí a me fazer dizer que é um cocô muito bom, deliciosamente consciente a ponto de recomendá-lo para pessoas inocentes...sei não, mas não é pedir um pouco demais?

05 - Um natal muito, muito louco [Christmas with the kranks, Joe Roth. EUA, 04. Visto no cinema] 28

Moralista, reacionário, sem graça, americano até não poder mais. Nada que vá te surpreender, enfim.

06 - Redentor [idem, Claudio torres. BRA, 04. Visto no cinema] 62

07 - Bem-vindos [Tillsammans, Lukas Moodysson. SUE, 00. Visto na TV] 65

Moodysson implanta uma mãe de família e seu casal de filhos em uma comunidade hippie dos anos 70 para dizer que os extremos nunca funcionam, que é preciso conviver com os defeitos para usufruir das virtudes, etc. Discuro bonitinho, boas atuações, algumas cenas excelentes (outras nem tanto) e um filme OK, bom, mas que não entusiasma. Prefiro Fucking Amal.

08 - Os contos de canterbury [I racconti di canterbury, Pier Paolo Pasolini. ITA/FRA, 72. Visto na TV] 36

Pasolini prega emprestado meia dúzia de contos obscenos de Chaucer para filmar meia dúzia de cenas de sexo e fazer um - oh! - poderoso ataque ao moralismo. É isso, apenas isso e nada mais do que isso. Para que fosse cultuado à época de seu lançamento, até concordo que não precisava de mais muita coisa; mas hoje?! Soa no mínimo constrangedoramente datado. E é vazio, extremamente vazio, vazio feito mesa de docinho em fim de festa infantil. Com personagens que estão mais para peças de exposição de seus próprios órgãos genitais do que para qualquer outra coisa e tentativas de humor amplamente lamentáveis, o resultado final é digno de adolescente revoltado que quer protestar mas não sabe como. Uma bosta.

09 - Vai trabalhar vagabundo [idem, Hugo Carvana. BRA, 73. Visto na TV] 64

10 - /Elefante/ [Elephant, Gus Van Sant. EUA, 03. Revisto em DVD] 84

11 - Anti-herói americano [American splendor, Shari Springer Berman e Robert Pulcini. EUA, 03. Visto em DVD] 82

Dos melhores filmes biográficos (não necessariamente biográficos, mas que falam a respeito de algum personagem específico e mantêm um foco maior nele a maior parte do tempo) que já vi. Cinema que investiga o ser humano da melhor qualidade, como esse tipo de cinema, acredito eu, deve ser -- afinal nenhum ser humano é tão uma coisa só, tão uma única pessoa, para que não se confuda ou mude de figura por um minuto sequer. Os diretores, apesar de já bem maduros (40 anos cada um), parecem conservar algumas das melhores características comuns à juventude. A vontade de mostrar ao mundo suas idéias, externar seus reciocínios etc, é imensa e bem evidente. E o que poderia se transformar em algo ruim, caso não se soubesse lidar muito bem com isso, aqui é revertido a uma vivacidade incrível, faz do filme uma obra intensa, viva. Mas muito disso é proveniente, acho, do farto de que a dupla de cineastas não poderia ter escolhido um filme melhor para botar suas idéias em ação. Ou melhor: um personagem melhor. Harvey Pekar é algo confuso, que não sabe bem quem é nem como ser. O que acho admirável, em American Splendor, é a ambição onipresente em se revelar, em se descobrir quem é aquele personagem, quem é aquela pessoa. Há cenas memoráveis, como aquele monólogo da lista telefônica, ou o momento em que Pekar, àquela altura à beira da morte, questiona se, com ele morto, o perosnagem continua, ainda vive. A conclusão a que se chega é que ninguém é uma pessoa só, e está durante toda a vida descobrindo a si mesmo. Naturalmente óbvia, mas não vejo outra possível.

12 - Decameron [idem, Pier Paolo Pasolini. ITA/FRA, 71. Visto na TV] 69

A primeira parte da trilogia da vida, que vejo depois de ter visto a segunda, e é um grande avanço em relação à esta. Como em Contos de Canterbury, há também aqui o moralismo como principal alvo, com a diferença de que o tema dessa vez é tratado com muito mais inteligência, maturidade e ironia. Dá suas alfinetadas na burguesia e na Igreja sempre que possível, mas o interesse mesmo é em qustionar a (a)moralidade das coisas, acredito. Acaba por ser uma comédia moral realmente engraçada (o episódio das freiras e o da transformação de mulher em égua são especialmente hilários), que cumpre de forma bastante razoável seu papel. Só me incomodo com Pasolini interpretando um pintor buscando inspiração para pintar as paredes de uma igreja, é uma faceta do filme da qual ainda não descbri a função (ou se há uma, de fato). De qualquer forma, espero que a terceira parte siga essa linha e não a de Canterbury.

13 - /Os incríveis/ [The incredibles, Brad Bird. EUA, 04. Revisto no cinema] 61

Revi, dessa vez legendado, mas não ajudou muito. Pior filme vindo da Pixar já visto por mim, e uma bela decepção. Daria 59 fácil, mas é que aquele número 2 na camisa do personagem-filho na sequência da corrida é irresistível. Sobrevive à casa dos 60, ao menos. (Ler comentário #02)


Revi, dessa vez legendado, mas não ajudou muito. Pior filme vindo da Pixar já visto por mim, e uma bela decepção. Daria 59 fácil, mas é que aquele número 2 na camisa do personagem-filho na sequência da corrida é irresistível. Sobrevive à casa dos 60, ao menos. (Ler comentário #02)

14 - Papai noel às avessas [Bad Santa, Terry Zwigoff. EUA, 03. Visto no cinema] 64

Me parece um filme que não sabe exatamente se quer A) simplesmente ser uma peça de subversão (algo que vire o "espiríto de natal" de cabeça pra baixo e vá na direção contrária de tudo aquilo que é o "padrão" ou o "comum") ou B) desenvolver personagens, observar comportamentos humanos, etc. Mas, na medida do possível, essa acaba por se tornar uma indecisão saudável, por assim dizer, uma vez que cadencia essas duas facetas do filme. Pode ser vista por dois ângulos, no entanto: o espectador que espera que se leve uma dessas duas facetas adiante, às últimas consequências, certamente sairá decepcionado do cinema (e, que seja frisado, na medida do possível: um filme com uo intuito de ser subersivo, teoricamente deveria -- veja se estou certo -- desumanizar os personagens, e não o contrário -- que é o que acontece, numa dose no mínimo bem exagerada, lá pelos 70 minutos de projeção). Caso contrário (caso não se cobre nada significativo de nenhuma dessas vertentes) serão 90 minutos de meia dúzia de BOAS gargalhadas, uns 15 "fuck me, santa!" vindos dos lábios carnudos da sra. Gilmore (que, diga-se de passagem, é ALGO) e toques de humanismo bem-vindos aqui e ali. Nesse caso, e esse é o meu caso, não é nada que vá te impedir de apreciar os momentos finais de uma quase-redenção que anda torturando uns e outros quase-fãs do filme.

15 - Alfie, o sedutor [Alfie, Charles Shyer. EUA, 04. Visto no cinema] 59

No filme eu não prestei muita atenção (tenho impressão de que há uma quantidade significativa de clichês e coisas do gênero, mas as atuações são bacanas e cria-se uma atomosfera de maneira surpreendentemente talentosa à medida que a narrativa pede que o clima mude -- acho que já posso gostar de uma comédiazinha romântica desimportante por isso, certo?), mas esse título não é absolutamente ridículo? Digo: qual a grande diferença entre "Alfie - o sedutor", e "Alfie - um macaco trapalhão"? Ou: "Alfie - um bulldog muito do esperto!" Ou ainda: "Alfie - uma foquinha superdotada!". Que da próxima vez dêem um nome de gente ao personagem-título, por favor.

16 - O diário de bridget jones: no limite da razão [Bridget jones diary: the edge of reason, Beeban Kidron. EUA, 04. Visto no cinema] 42

17 - Galera do mal [Saved!, Brian Dannelly. EUA, 04. Visto no cinema] 62

18 - Doze homens e outro segredo [Ocean´s Twelve, Steven Soderbergh. EUA, 04. Visto no cinema] 41

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